Totoma – Dani Dacorso

18 de julho de 2011

admin

Galeria 535

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Dani Dacorso

Totoma! – Imagens da cena funk carioca por Dani Dacorso

 

A partir do dia 28 de janeiro, a Galeria 535 – localizada na sede do Observatório de Favelas – inaugura a exposição Tomoma!, da fotógrafa carioca Daniela Dacorso.

A mostra é composta por mais de 20 imagens produzidas durante os anos de 1998 e 2008, período em que Daniela registrou a cena funk no Rio de Janeiro, acompanhando diversos bailes da cidade e da Baixada Fluminense.

As festas no Chapéu Mangueira, na época da “dança da bundinha”, Tati Quebra Barraco no início de carreira com Mr. Catra, Gorila e Preto, os bailes da Vila Mimosa e a montagem dos “soundsystems” são alguns dos flagrantes da exposição.

Totoma! já foi exibida na Bienal de Fotografia de Nice e no Maison Folie de Moulins, em Lillie, ambas na França, em 2005. As imagens também participaram da coletiva Estética da Periferia, no Centro Cultural dos Correios.

O trabalho de Daniela foi publicado no Street World / Urban Art and Culture from 5 Continents (Abrams/New York) e também nas revistas Dazzed and Confused, Blender (Estados Unidos) e NME e nos jornais The Guardian (Inglaterra) e La Vanguardia (Espanha).

Daniela Dacorso  trabalha  atualmente como fotógrafa  para  a revista Istoé e desenvolve projetos pessoais em fotografia. Corpo, religiosidade e cultura urbana são temas recorrentes  em seu trabalho.

 

Exposição Totoma!, da fotógrafa Daniela Dacorso.

Local: Galeria 535 – Rua Teixeira Ribeiro, 535, Maré – RJ.

Horário: segunda a sexta, de 9 às 18h

Entrada gratuita

 

Que fenômeno funk é esse?

Por Marcos Bonisson

 

A linguagem é uma pele: esfrego minha linguagem no outro.

Roland Barthes

 

O que acontece nos bailes funk da zona norte e sul é também de ordem catártica. Fotografar baile funk não é para qualquer um. No centro da pista, na batida do pancadão, uma espiral de corpos é desenhada, serpenteando o espaço. A gravidade funk age e tudo converge, sugando todos para o vórtice, e gerando uma onda de energia indizível. Nessa situação, a fotógrafa tem que estar preparada para o inesperado, e munida de visão panóptica, porque a chapa quente é periférica. Em leitura possível, imagens transitivas são aquelas que operam um deslocamento da cognição visual para o domínio de outros sentidos. Com efeito, as imagens de Dani Dacorso são sonoplásticas, olfativas. Se as olharmos atentamente, podemos ouvir a intensidade do som e sentir o cheiro de suor, henê e sexo. A fotógrafa visa um eixo subjetivo de seleção e combinação, escolhendo os sinais e indiciando o processo de revelar, em imagens-metonímias, o todo pela parte. Fotografias são fragmentos, relances. Acumulamos relances. Conhecer é antes de tudo reconhecer.  O que está claramente em jogo nesse acúmulo de fragmentos funk é o registro de um êxtase enunciado, pela fala do corpo, em uma de suas pulsões cardinais,  a dança.

Dacorso tem fotografado o funk carioca por quase dez anos. Se a linguagem organiza os signos, o significante do trabalho de Dani é apontar uma imagem acústica de leitura plural. Definir essas fotografias de documentais e preto e branco é apenas dizer algo sobre sua sintaxe, mas não sobre sua semântica de sentido variado. Contudo, há todo um ritual de atitude instável apresentado pela meninada nos bailes funk. Conflitos à parte, a catarse da dança e do cantar junto, dominam o ambiente. Uma alegria instantânea, como reação à adversidade. O conteúdo manifesto dessas fotos reside primordialmente na tensão instaurada na pista, pela alteridade dos corpos em ação dançante. Nesse sentido, corpo e visão se fundem criando fissuras, por onde podemos olhar e imaginar realidades das quais não temos necessariamente uma experiência direta. Toma-totoma-toma repete o refrão na batida do tamborzão, enquanto a lente embaçada da fotógrafa observa a massa que pulsa no espaço. Dani executa nessa mostra, um projeto de notação visual, separando precisamente o essencial do acessório, e indagando em fotos-vislumbres, que fenômeno funk é esse?

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