Quarta-feira, 07 de Julho de 2010
JR Ripper recebe prêmio e lança exposição no Rio.

  

Está em cartaz desde o dia 5 de julho, no Centro Cultural Heloneida Studart, a mostra “Mulheres entre luzes e sombras”, do fotógrafo João Roberto Ripper, que acaba de ser contemplado com o XI Prêmio Marc Ferrez de fotografia. O prêmio é oferecido anualmente pela Funarte aos destaques da produção artística fotográfica no Brasil e, neste ano, Ripper o recebeu na categoria Documentação Fotográfica, com o projeto no qual registrava vítimas de doenças negligenciadas no país.

 

 

A exposição conta com 50 ampliações de imagens registradas ao longo de mais de 30 anos de carreira do fotógrafo e algumas preparadas especialmente para a ocasião e retrata a mulher brasileira sob várias condições de discriminação em seu cotidiano, na busca pela liberdade. 

Numa divisão temática, as fotos são apresentadas em quatro blocos: Corpos Explorados - que mostra imagens que retratam a vida profissional, o trabalho como meio em busca de si mesmas - , Corpos Violados - imagens que retratam como a violência e a omissão afetam a integridade física, psicológica e sexual das mulheres -, Corpos Ameaçados - o universo proibido, mulheres que seguem em defesa do direito a tomar decisões sobre suas próprias vidas - e Corpos Livres - imagens que nos remetem à histórias de superação, determinação e força de mulheres, mães, conselheiras, fazedoras, contadoras de histórias de vidas e cidadãs.

 

Coordenada pela organização Ipas Brasil, em parceria com 12 organizações feministas e de mulheres, a mostra esteve em março exposta no Congresso Nacional, em homenagem ao mês da mulheres.
 
SERVIÇO
 
“Mulheres entre luzes e sombras”
Quando: de 6 a 21 de julho, das 10h às 19h
Onde: Espaço Cultural Cedim Heloneida Studart (Rua Camerino, 51, Centro, Rio de Janeiro)
Informações: (21) 2334-9527
Entrada franca


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Terça-feira, 29 de Junho de 2010
Outros cliques da Copa na Maré

Lá na África do Sul, os jogadores brasileiros suam a camisa para trazer o tão sonhado hexa campeonato, já na Maré, é a torcida que se empenha nos enfeites e se descabela em dias de jogo da seleção. Seguimos nossas postagens com os registros da comunidade inteira torcendo na Copa do Mundo.

Decoração da copa nas ruas da Vila do João. Foto: Márcia Farias

 

Meninos batem bola em rua da Nova Holanda. Foto: Elisângela Leite

 

Torcedor infantil lendo em seu portão, na Maré. Foto: AF Rodrigues

Acompanhem a documentação fotográfica da Copa do Mundo pelas comunidades do Rio de Janeiro em nosso blog.


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Sexta-feira, 18 de Junho de 2010
A Copa na Maré

 

Foto: Elisângela Leite

  

De quatro em quatro anos acontece sempre o mesmo: o Brasil se enfeita todo de verde e amarelo para torcer pela seleção de futebol na Copa do Mundo. Todos parecem se esquecer dos problemas cotidianos e a cada jogo do Brasil os festejos parecem formar um carnaval fora de época. As ruas são pintadas com as cores da bandeira nacional, a movimentação pela cidade se intensifica de pessoas desfilando empolgadas com suas camisetas patrióticas e carros disparando buzinas e flamulando bandeiras. O sentimento é coletivo.  

Moradores enfeitam a rua na Baixa do sapateiro, Maré. Foto: Naldinho Lourenço.

Na Maré, o cenário não é diferente. Em dia de jogo do Brasil, em todo boteco, birosca, bar,  ruas e becos da comunidade há uma TV ligada e torcedores se aglomerando para não perder um lance da seleção brasileira. 

Rua efeitada para a Copa do Mundo na Favela do Jacarezinho. Foto: Léo Lima.

Os fotógrafos do Imagens do Povo registraram alguns desses momentos na Maré e em outras comunidades. Confira no nosso blog a série das documentações sobre a Copa do Mundo.

 


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Sexta-feira, 11 de Junho de 2010
A Alquimia de Guy Veloso

 

Menina vestida de Iemanjá na festa em honra à Rainha do Mar (que curiosamente é realizada em Outeiro, uma praia de rio). Belém-PA, 2008.

Nascido em Belém (PA) – onde vive ainda hoje -, Guy Veloso começou a se interessar pelos temas religiosos quando, há quinze anos atrás, fotografou pela primeira vez a procissão do Círio de Nazaré, que arrasta uma multidão de fiéis todo ano pelas ruas da cidade rumo à Basílica de Nazaré. Desde então, Guy se dedica a acompanhar as mais diferentes expressões de fé que acontecem no país e os registros desses eventos deram origem a mostra Alquimia. São imagens das romarias de Juazeiro do Norte-CE, Canundé-CE e Bom Jesus da Lapa-BA, rituais afro-brasileiros, comunidades religiosas criadas no país como o Vale do Amanhecer além de, é claro, o Círio de Nazaré. Segundo Guy, Alquimia é transmutação, evolução, algo que a busca espiritual em si tem a pretensão na sua interpretação de lograr.

 

Grupo religioso-folclórico de “Dança de São Gonçalo” visita cemitério velho de Juazeiro do Norte-CE durante a grande Romaria de Finados. 2006.

Em meio a tantos experiências de fé registradas, o autor aponta uma imagem significativa na mostra: “A minha foto preferida foi feita em Florianópolis, no primeiro minuto de 2010. Não gosto muito de festas de Ano Novo e estava na praia só mesmo para fotografar os rituais, nem de branco eu fui... À meia-noite, fogos fincados na areia começaram a rasgar o céu e eu fiz a primeira foto do ano. E é para mim uma imagem emblemática, como que o fogo consumindo as inglórias e incertezas do ano que passou.

Primeiro minuto de 2010, rituais de ano-novo na Praia do Campeche, Florianópolis-SC.

Para compor sua Alquimia, Guy produziu todas as imagens com a sua Leica M-6, confirmando a preferência do autor pelos filmes dispositivos (slides).Uso equipamento analógico pois até agora não consegui resultados iguais no digital. Pode ser que daqui a uma semana lancem uma máquina que me dê cores e contrastes igualmente fortes, mas que, agora, só os bons e velhos filmes diapositivos me dão”, explica Guy.

A mostra, recentemente exposta na galeria do Ateliê da Imagem, na Urca, cruza a cidade e desembarca na Maré. “O Ateliê da Imagem é hoje um dos espaços culturais reservados à fotografia mais requisitados, localizado na Zona Sul do Rio de Janeiro, em um bairro chique, ponto de encontro de intelectuais, artistas e universitários. A Galeria 535 fica na Maré, um local pouco atendido pelo Poder público. No primeiro a exposição serve como vitrine do trabalho, no segundo, é uma questão de cidadania”, afirma o fotógrafo.

 

Promesseiros disputam o privilégio de levar ou mesmo tocar uma corda de navio de 800 metros que circunda a berlinda com a imagem de Nossa Senhora que é levada em procissão. Círio de Nazaré, Belém-PA. 2008.

Neste ano, indicado pelo fotógrafo Luiz Braga (representante do Brasil na Bienal de Veneza de 2009), Guy Veloso entrou para a mais importante coleção de fotografias do país, a Pirelli-MASP e segue com o projeto iniciado em 2002 e com previsão de término em 2011, que chama-se “Penitentes: a Fascinação do Fim do Mundo”, onde até agora foram documentados in loco nada menos que 116 grupos religiosos laicos nas cinco regiões do país. São rituais que remontam à Idade Média como as confrarias de penitentes que saem em procissão encapuzados e envoltos em mantos brancos noite à dentro (determinados grupos, inclusive, mantém a autoflagelação açoitando as costas na Sexta-feira Santa). Estas fotos farão parte da 29ª Bienal Internacional de São Paulo de 2010.  

Saiba mais sobre o fotógrafo Guy Veloso.

  

Serviço  

Inauguração da Exposição Alquimia – Guy Veloso

Data: 12/06/2010, sábado

Visitação: 14/06 a 23/07/2010, de 9 às 18 h

Galeria 535

Local: Observatório de Favelas

Endereço: Rua Teixeira Ribeiro, 535. Parque Maré – Maré - Rio de Janeiro.

 


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Quarta-feira, 02 de Junho de 2010
Agro(vidas)extrativistas

Fotos: Léo Lima

Os agroextrativistas são agricultores familiares que usufruem da própria natureza para produzirem seus alimentos e ervas medicinais nas quais a sua maioria vem das plantas nativas do grande cerrado mineiro. 

Além de plantarem novas sementes que darão os frutos necessários para o dia a dia de suas famílias, sem utilizar nenhum tipo de agrotóxico nas plantações, eles acabam protegendo a natureza e principalmente eles próprios contra doenças alimentares. 

É desse trabalho totalmente voluntário que os agroextrativistas tiram seu sustento, e revendem alguns alimentos para outras áreas do Norte mineiro.

 

Os agroextrativistas também criam diversos animais, nos quais servem tanto para seu próprio alimento, quanto para revenda. Os gados, por exemplo, são os animais que mais geram renda para as famílias, pois sua carne é a mais procurada no mercado inteiro.

As famílias são humildes na sua maioria e se localizam no meio do assentamento, divididos em lotes, ou mini comunidades de agricultores familiares.  

Muitos dos moradores do Assentamento Americana têm suas casas em outros locais. Portanto, trabalham geralmente nas grandes cidades próximas ao assentamento, como: Grão Mogol, Montes Claros, etc, e retornam. Passam os finais de semana no assentamento, produzem, colhem, cuidam dos animais, relaxam e se divertem bastante.

 

Uma das atividades indispensáveis no Assentamento Americana são os cultos de domingo e o forró logo após. Onde as famílias se encontram geralmente na casa do Presidente da Cooperativa Grande Sertão, o senhor Aparecido (Cido). 

Fato que os agroextrativistas nunca deixam de frisar é que essa forma de ocupação, que já resiste há 5 anos, é fundamental para que microempresários não utilizem essas terras para plantio de eucalipto - árvore que absorve muita água do solo -, o que resultaria no fim dessas plantas nativas e consequentemente dos alimentos da mesa do nosso dia a dia. Além do mais, o eucalipto só traria dinheiro para os próprios micro empresários, pois a árvore servirá no futuro para a produção de carvão, o que aumentaria o trabalho escravo e a produção de papel.

 

O fato de plantas nativas e cultivadas permanecerem no mesmo lugar são uma das coisas que os agroextrativistas mais “brigam” com os outros agricultores que afirmam não haver possibilidade de acontecer no atual solo do cerrado mineiro, segundo Cido, Presidente da Cooperativa Grande Sertão.
 
Essas pessoas amam o que fazem independente de qualquer coisa.
 

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