Quinta-feira, 22 de Julho de 2010
10 anos de ImagEMovimento

 

Há dez anos, um grupo de fotógrafos se reuniam em um bar de Santa Tereza, região do Centro do Rio, e discutiam uma maneira de como divulgar e valorizar os trabalhos autorais de fotógrafos cariocas. Berg Silva e Severino Silva resolveram então criar o projeto ImagEMovimento, que há uma década exibe trabalhos de fotógrafos renomados, alguns experientes no meio do fotojornalismo, com publicações em reportagens de primeira página de alguns dos principais jornais do país, através de projeções fotográficas gratuitas por diversos lugares da cidade.

Foto: Berg Silva

Durante este período, foram agregados ao projeto outros elementos artísticos e culturais, que, somados às projeções fotográficas, fazem do ImagEMovimento muito mais que um evento de fotografia.
Nesta sexta-feira, dia 23, às 20h, o evento volta às suas origens, Santa Tereza, com projeções fotográficas, música e gastronomia, e receberá como convidados da noite os fotógrafos  Alex Ferro, André Teixeira, Berg Silva, Custódio Coimbra, Domingos Peixoto, Gabriel de Paiva, Guillermo Planel, Marcelo Carnaval, Marcia Folleto e Severino Silva.
O ImagEMovimento vai acontecer no Restaurante Sobrenatural, situado na Rua Almirante Alexandrino, 432, Largo dos Guimarães, em Santa Teresa (tel:2221-9465). 

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Sexta-feira, 16 de Julho de 2010
imPACtos

  

Foto: Monara Barreto

Texto e fotos: Coletivo Favela em Foco 

As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, acontecem em diversos lugares do país, inclusive em algumas favelas cariocas. As obras provocam grandes transformações, seja no chão ou no cotidiano das pessoas. Pensando nisso, o coletivo multimídia Favela em Foco, formado através da iniciativa de fotógrafos que participaram da turma de 2009 da Escola de Fotógrafos Populares,  vem registrando alguns “imPACtos” na vida de moradores do Morro do Alemão, conjunto de favelas da zona norte do Rio de Janeiro.

Ao longo de pouco mais de seis meses, o grupo de fotógrafos registrou diversas mudanças no dia a dia dos moradores e nos espaços do Alemão. Uma das transformações mais visíveis foi o distanciamento entre famílias e amigos que antes dividiam janelas, lajes e hoje se falam por meios digitais. É que algumas intervenções exigiram o reassentamento de moradores. Parte deles continuou na favela; outros optaram por pegar a indenização e morar em outro bairro. Assim, onde antes havia quintal com balanço pendurado num pé de manga, galinhas caipiras, churrasqueira e sombra, hoje tem um minério manufaturado fincado para dar suporte às idas e vindas dos bondinhos ao Morro do Alemão.

 

Foto: Ratão Diniz

Embora não queira o fim do PAC, Dona Vera, que vive no local desde que nasceu, diz que o programa tem também um lado triste. “Estamos vendo vizinhos bons indo embora. A gente vai ficar com essa falta e a gente acha que o Natal vai ser ruim porque estará vazio. Minha vizinha foi embora. Ela fazia festa na rua e alegrava todo mundo, essa parte entristece. A gente viu ela ir embora chorando, porque foi nascida e criada aqui”, revela. Dona Vera, no entanto, pondera sua opinião: “A minha esperança é que consigam concluir a obra, que a mudança de governo não faça com que isso tudo fique parado, porque se parar vai ficar ruim”.

A moradora e agente comunitária de saúde conhecida como Soninha, de 45 anos, é uma das que precisa deixar o lugar onde nasceu e viu sua filha crescer: “A gente criou um elo muito grande com a casa porque foi construída pelos meus pais. Eles vieram para morar quando minha mãe estava grávida de mim. Aí de repente a gente tem que sair da casa, é muito ruim. Eu particularmente me senti um peixe fora d’água. Tive noites sem dormir pensando como seria com a demolição da casa”. Ela, entretanto, ressalta algumas vantagens do programa: “Tem várias coisas que eles estão fazendo, escolas, hospitais que eles vão construir; bibliotecas, benefício tem, a obra em si vai ser construtiva”, afirma.

Soninha, moradora do Conjunto de Favelas do Alemão

Foto: Fábio Caffé

D. Nicinha lamenta a perda de contato com antigos vizinhos. “Às vezes fico no portão, aí penso nos meus vizinhos. Acabou-se tudo? O que estou fazendo? Acho que vou cair fora também. Uns foram pra lá, outros pra cá. A gente não sabe pra onde foi. Teve muita gente que adoeceu também por causa da obra. Quem esperava isso? Ninguém esperava”, frisa.

Muito a avançar

Outros projetos voltados para espaços populares já existiram no Rio; o Favela-Bairro foi um dos principais. Mesmo assim, o trabalho do Favela em Foco em vários espaços da cidade, como Jacarezinho, Manguinhos e Maré, indica que a dívida do poder público ainda é enorme. No Alemão, os moradores agora terão novas ruas, escolas, uma nova área de comércio, além de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e clínica da família. Porém, os benefícios geram especulação imobiliária, o que provoca aumento dos alugueis e preocupação nos moradores, uma vez que a renda da maioria ainda é mesma de antes das intervenções.

Mesmo assim, as expectativas são positivas. “Espero que seja bom por causa da creche, desse teleférico que vai levar as pessoas e dos outros bens. Na minha maneira de ver, eu não vejo nada de ruim além de perder os vizinhos”, revela D. Vera. 

Mais sobre a cobertura das obras do PAC no Alemão em: www.favelaemfoco.com.br


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Quarta-feira, 07 de Julho de 2010
JR Ripper recebe prêmio e lança exposição no Rio.

  

Está em cartaz desde o dia 5 de julho, no Centro Cultural Heloneida Studart, a mostra “Mulheres entre luzes e sombras”, do fotógrafo João Roberto Ripper, que acaba de ser contemplado com o XI Prêmio Marc Ferrez de fotografia. O prêmio é oferecido anualmente pela Funarte aos destaques da produção artística fotográfica no Brasil e, neste ano, Ripper o recebeu na categoria Documentação Fotográfica, com o projeto no qual registrava vítimas de doenças negligenciadas no país.

 

 

A exposição conta com 50 ampliações de imagens registradas ao longo de mais de 30 anos de carreira do fotógrafo e algumas preparadas especialmente para a ocasião e retrata a mulher brasileira sob várias condições de discriminação em seu cotidiano, na busca pela liberdade. 

Numa divisão temática, as fotos são apresentadas em quatro blocos: Corpos Explorados - que mostra imagens que retratam a vida profissional, o trabalho como meio em busca de si mesmas - , Corpos Violados - imagens que retratam como a violência e a omissão afetam a integridade física, psicológica e sexual das mulheres -, Corpos Ameaçados - o universo proibido, mulheres que seguem em defesa do direito a tomar decisões sobre suas próprias vidas - e Corpos Livres - imagens que nos remetem à histórias de superação, determinação e força de mulheres, mães, conselheiras, fazedoras, contadoras de histórias de vidas e cidadãs.

 

Coordenada pela organização Ipas Brasil, em parceria com 12 organizações feministas e de mulheres, a mostra esteve em março exposta no Congresso Nacional, em homenagem ao mês da mulheres.
 
SERVIÇO
 
“Mulheres entre luzes e sombras”
Quando: de 6 a 21 de julho, das 10h às 19h
Onde: Espaço Cultural Cedim Heloneida Studart (Rua Camerino, 51, Centro, Rio de Janeiro)
Informações: (21) 2334-9527
Entrada franca


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Terça-feira, 29 de Junho de 2010
Outros cliques da Copa na Maré

Lá na África do Sul, os jogadores brasileiros suam a camisa para trazer o tão sonhado hexa campeonato, já na Maré, é a torcida que se empenha nos enfeites e se descabela em dias de jogo da seleção. Seguimos nossas postagens com os registros da comunidade inteira torcendo na Copa do Mundo.

Decoração da copa nas ruas da Vila do João. Foto: Márcia Farias

 

Meninos batem bola em rua da Nova Holanda. Foto: Elisângela Leite

 

Torcedor infantil lendo em seu portão, na Maré. Foto: AF Rodrigues

Acompanhem a documentação fotográfica da Copa do Mundo pelas comunidades do Rio de Janeiro em nosso blog.


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Sexta-feira, 18 de Junho de 2010
A Copa na Maré

 

Foto: Elisângela Leite

  

De quatro em quatro anos acontece sempre o mesmo: o Brasil se enfeita todo de verde e amarelo para torcer pela seleção de futebol na Copa do Mundo. Todos parecem se esquecer dos problemas cotidianos e a cada jogo do Brasil os festejos parecem formar um carnaval fora de época. As ruas são pintadas com as cores da bandeira nacional, a movimentação pela cidade se intensifica de pessoas desfilando empolgadas com suas camisetas patrióticas e carros disparando buzinas e flamulando bandeiras. O sentimento é coletivo.  

Moradores enfeitam a rua na Baixa do sapateiro, Maré. Foto: Naldinho Lourenço.

Na Maré, o cenário não é diferente. Em dia de jogo do Brasil, em todo boteco, birosca, bar,  ruas e becos da comunidade há uma TV ligada e torcedores se aglomerando para não perder um lance da seleção brasileira. 

Rua efeitada para a Copa do Mundo na Favela do Jacarezinho. Foto: Léo Lima.

Os fotógrafos do Imagens do Povo registraram alguns desses momentos na Maré e em outras comunidades. Confira no nosso blog a série das documentações sobre a Copa do Mundo.

 


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