Galeria 535

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Galeria 535

Localizada na sede do Observatório de Favelas, no conjunto de favelas da Maré, a Galeria 535 é um espaço destinado exclusivamente para a fotografia, onde apresenta uma programação artística de qualidade e gratuita, em uma região historicamente desfavorecida de equipamentos culturais.

A Galeria 535 fica na Sede do Observatório de Favelas, na Favela da Maré, no nº 535 da Rua Teixeira Ribeiro, Bonsucesso – RJ.

O horário de visitação da galeria é de segunda à sexta de 9:00 às 18:00 h.

Pescadores da Maré

© Elisângela Leite

 

Desde a formação da Maré, na década de 40, os moradores mantêm uma importante relação de troca com a Baía de Guanabara. Essa interação fica clara desde a escolha do nome da região, que é uma confissão da dependência dos pescadores com as águas da Baía, principal fonte de sustento de algumas famílias. A atividade pesqueira, porém, se vê crescentemente ameaçada, vitimada pela poluição lançada pelos esgotos domiciliares e industriais, além dos derrames de óleo de embarcações.

Mesmo diante deste cenário desfavorável, algumas colônias de pescadores se mantêm resistentes na esperança de tempos melhores para a pesca. Essa luta chamou a atenção da fotógrafa Elisângela Leite, que, em 2007, resolveu lançar luz sobre as histórias de pessoas que dependem desta atividade para prover o sustento de suas famílias.

Elis, paraibana da cidade de Patos (mas se considera pernambucana de Tabira) e moradora da Maré há mais de 11 anos, iniciou sua aproximação com os pescadores pela da vontade de produzir uma documentação fotográfica para o trabalho de conclusão de curso da Escola de Fotógrafos Populares. A partir daí, a fotografia tornou-se muito mais do que um simples instrumento de registro e denúncia para seu projeto, mas foi utilizada também como promovedora de encontros: da fotógrafa com os fotografados, dos pescadores com suas histórias, suas lutas, seus desejos, da técnica com o coração.

As imagens que compõem a exposição “Pescadores”, primeira mostra individual do trabalho de Elisângela Leite,  retratam o cotidiano de algumas colônias pesqueiras do Conjunto de Favelas da Maré e o esforço diário para trazer junto às redes daqueles homens e mulheres, os peixes e crustáceos cada vez mais escassos da Baía de Guanabara. É o olhar da fotógrafa somado aos olhares dos pescadores, seus rostos, um pouco de suas vidas marcadas de sonhos e desilusões, suas embarcações, redes, suas realidades.  “Acredito que o trabalho de registrar as colônias é muito importante para a comunidade, pois se constitui como um importante instrumento de memória do cotidiano e da realidade social dos seus moradores. Enquanto os pescadores travam sua luta diária contra o avanço da poluição da Baía, ficam na espera de qualquer apoio por parte dos governantes para que a cultura da pescaria artesanal não se acabe. Com minha fotografia espero contribuir também com essa luta”, explica Elis.

 

Apresentação de Pescadores por João Roberto Ripper

Existem pessoas que se destacam pela persistência, porque são obstinadas, têm raça e acreditam no que fazem. São íntegras e, como acontece com a maioria do nosso povo, por mais que sejam grandes as dificuldades, nunca desistem de ser felizes. Têm uma dignidade teimosa, gostosa de se ver. São pessoas imprescindíveis em todas as profissões.

Assim é Elisângela: buscou aprender fotografia com enorme garra e se fez fotógrafa com muita dedicação e coragem, sem desistir, correndo atrás de cada vez mais aperfeiçoar seu trabalho. É hoje uma fotógrafa vencedora, competente, que continua lutando pelo seu espaço e amando cada vez mais a fotografia. É uma linda fotógrafa, de muita raça.

Os pescadores que buscam sustento nas águas da Baía de Guanabara, na região de favelas da Maré, chamaram a atenção de Elisângela logo que começou a fotografar. Tornou-se amiga deles e continua, cada vez mais, aprimorando seu ‘tema’. Mas já conseguiu o principal: fazer com que cada pessoa que veja o seu trabalho queira bem aos pescadores e conheça a sua luta.

É muito bom vê-la fazendo fotos tão bonitas. Obrigado por essas imagens!

 


Serviço

Exposição Pescadores – fotografias de Elisângela Leite

Abertura: dia 11/11/11, às 18h

Visitação: de 14/11 a 09/12/2011

Horário: de segunda a sexta, de 9 às 18h

Galeria 535

Endereço: Rua Teixeira Ribeiro, 535, Parque Maré, Maré, RJ.

 

Por: admin, em 07/11/2011


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Viva Favela 10 anos

© Walter Mesquita

 

A Galeria 535 apresenta, a partir do dia 30 de setembro, a exposição “Viva Favela 10 anos”. A mostra traz um recorte da produção fotográfica do projeto que neste ano comemora uma década de existência. O garimpo resultou na exposição composta de 24 fotografias representativas, produzidas desde 2001 pelos correspondentes comunitários e editores do projeto. As imagens selecionadas retrataram de forma íntima o cotidiano de favelas e bairros de periferia do Rio e Grande Rio, e fazem parte de um acervo de mais de 50 mil fotografias publicadas ao longo dos últimos 10 anos no site www.vivafavela.com.br.

A exposição “Viva Favela 10 anos” esteve em cartaz durante os meses de junho e julho no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, em Santa Tereza, simultaneamente à mostra “Prazer, sou do Povo”, do Programa Imagens do Povo, compondo juntos a programação do FotoRio 2011.

A curadoria da exposição ficou por conta da fotógrafa Patrícia Gouvêa e as fotografias são de Deise Lane, Fernando Mascote, Kita Pedroza, Marcia Farias, Nando Dias, Rodrigues Moura, Sandra Delgado, Tony Barros, Walter Mesquita.

 

 

Sobre o Viva Favela

Criado em julho de 2001 pelo Viva Rio, o projeto Viva Favela tem como metas a inclusão digital, a democratização da informação e a redução da desigualdade social. Como uma ponte virtual entre o “asfalto” e a favela, conta com uma equipe de jornalistas e correspondentes comunitários.

Os correspondentes são moradores de favelas que atuam como repórteres, fotógrafos e produtores de conteúdo multimídia. O trabalho é feito em parceria, e o resultado mostra que há muito mais para se contar sobre as favelas do que histórias de violência e narcotráfico.

Com um olhar “de dentro”, o site mostra a cultura, a criatividade das estratégias para vencer os desafios diários, o potencial para propor e operar mudanças sociais positivas.

Ao estimular que moradores de favelas e periferias se tornem comunicadores e produzam conteúdo retratando essas regiões de forma não estigmatizada, o Viva Favela provoca uma visão crítica sobre a realidade vivenciada por cada um.

 

Serviço

Galeria 535

Observatório de Favelas do Rio de Janeiro

Endereço: Rua Teixeira Ribeiro, 535, Parque Maré, RJ.

Abertura: 30/09/2011, às 18h

Visitação: de 03/09 a 28/10/2011

 

Por: admin, em 26/09/2011


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Todo dia um acorda, outro levanta, um segue pro trabalho, outro pra escola, pra rua, pra casa. Naquilo que é considerado mais previsível, mais corriqueiro, é por onde caminham os passos dos fotógrafos populares. Revelar a beleza subestimada – escondida naquilo que está próximo – é o que legitima o prazer de viver em cada momento a graça de todo dia.

É destes milagres cotidianos que a exposição “Prazer, sou do Povo” é composta. São 19 imagens selecionadas do Banco de Imagens do Programa Imagens do Povo pelos curadores Antonio Paiva e Joana Mazza. Este recorte busca transcender a documentação, que é a principal característica do acervo do Programa, ressaltando a expressão individual de cada autor.

A mostra “Prazer, sou do Povo” será exibida a partir do dia 19 de agosto na Galeria 535, no Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, compondo a programação de aniversário da instituição.

 

Serviço

Exposição Prazer, sou do Povo

Imagens dos fotógrafos do Programa Imagens do Povo: AF Rodrigues, Fábio Caffé, Monara Barreto, William Nascimento, Ratão Diniz, Léo Lima, Edmilson Lima, Ingrid Cristina, Elisângela Leite, Francisco César e Francisco Valdean.

Inauguração: 19/08/2011, às 17h

Visitação: de 22/08 a 30/09/2011

Horário: De segunda a sexta, das 9h às 18h

Local: Galeria 535

Endereço: Rua Teixeira Ribeiro, 535, Parque Maré, Maré, RJ.

Por: admin, em 16/08/2011


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Serra Branca na 535

As favelas cariocas podem ser consideradas um bom exemplo de como se deu o processo de formação de grande parte das grandes cidades do Brasil, e mais: de como foi formado o próprio povo brasileiro. Esses espaços populares recebem, desde suas formações, imigrantes de vários estados (também países), o que resulta no surgimento de um ambiente miscigenado, plural, hibrido. No Conjunto de Favelas da Maré, por exemplo, há uma significativa parcela de imigrantes nordestinos, que saíram de seus lugares de origem em busca de mais oportunidades de emprego e renda, e que, definitivamente, contribuíram na formação destas comunidades. A influência está em todo canto: nas lojas de artigos nordestinos na Nova Holanda, no forró que toca no bar do Parque União, nas comidas típicas vendidas na Feira da Teixeira. Dentre as muitas cidades que colaboraram para a construção da identidade cultural da Maré, destaca-se Serra Branca, localizada a 240 km da capital da Paraíba, João Pessoa.

A exposição “Serra Branca”, do fotógrafo Fábio Costa, que a Galeria 535 inaugura na próxima sexta-feira (8), pretende apresentar a cidade paraibana através de sua riqueza cotidiana. Em cada detalhe sobre a região, Fábio nos revela através de suas imagens um completo panorama de Serra Branca, com seus personagens, lugares e histórias. A Galeria 535 fica na sede do Observatório de Favelas, na Maré. É uma oportunidade para serrabranquenses, nordestinos, e todos aqueles que apreciam fotografia, se reencontrarem com seus “lugares de origem”.

 

Exposição Serra Branca

Fotógrafo Fábio Costa

Abertura: 08/07/2011, às 18h

Visitação: até 12/08/2011,

Segunda a sexta, de 9 às 18h.

Endereço: Rua Teixeira Ribeiro, 535, Maré, RJ.

Local: Galeria 535

Por: admin, em 18/07/2011


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Meu Mundo Teu – Alexandre Sequeira

 

A partir do dia 27/05, a Galeria 535, no Observatório de Favelas, recebe a exposição “Meu mundo Teu”, do fotógrafo paraense Alexandre Sequeira. A mostra compõe a programação do FotoRio 2011 (Encontro Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro). No sábado, dia 28/05, está programado um bate-papo aberto ao público na Galeria 535, a partir das 10h, onde o fotógrafo discutirá sobre seu processo de criação e apresentará seus projetos autorais.

 

“Meu mundo Teu”

 

Dois adolescentes que não se conhecem trocam impressões sobre suas realidades a partir de cartas e fotografias. A mescla dessas informações de mundo apresentadas por Tayana Wanzeler, moradora do bairro do Guamá na cidade de Belém e Jefferson Oliveira, morador da ilha do Combú na região amazônica, é o insumo que Alexandre Sequeira lança mão para compor uma série de 15 trabalhos que revelam uma nova realidade construída a partir do diálogo estabelecido entre esses dois adolescentes. Utilizando procedimentos de registro fotográfico como câmeras artesanais de um e dois orifícios e câmeras convencionais com dupla exposição de filmes, Alexandre promoveu ao longo do ano de 2007 encontros fotográficos com Jefferson e Tayana na busca da construção desta “rede de afetos”. O resultado são imagens que confundem diferenças e semelhanças num todo que aponta para novas significações adquiridas a partir desse encontro.

 

Sobre o autor:

 

Alexandre Sequeira é formado em arquitetura pela Universidade Federal do Pará-UFPa em 1984, é professor do Instituto de Ciências da Arte da mesma universidade, Especialista em Semiótica e Artes Visuais e Mestre em Arte e Tecnologia pela Universidade Federal de Minas Gerais-UFGM. Artista plástico e fotógrafo, desenvolve trabalhos que utilizam a fotografia como vetor de interação e troca de impressões com indivíduos ou grupos.

 

Saiba mais em: www.imagensdopovo.org.br

 

Serviço:

 

Exposição Meu Mundo Teu, do fotógrafo Alexandre Sequeira

Inauguração: sexta-feira, dia 27/05, às 18h

Visitação: de 30/05 à 01/07/2011

Horário: de 9 às 18h

Local: Galeria 535

Endereço: Rua Teixeira Ribeiro. 535, Maré, RJ.

 

Bate-papo com o fotógrafo Alexandre Sequeira

Data: sábado, 28/05

Horário: de 10 às 13h

Local: Galeria 535

Endereço: Rua Teixeira Ribeiro. 535, Maré, RJ.

 

 

 

Por: admin, em 18/07/2011


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Em Nossas Mãos – Fábio Caffé

 

No dia 1 de abril, a Galeria 535 inaugurou a exposição Em Nossas Mãos, de Fábio Caffé. A mostra traz 18 imagens representativas garimpadas da obra do fotógrafo formado pela Escola de Fotógrafos Populares em 2006. Desde então, Caffé tem se dedicado a registrar a diversidade cultural das favelas, as lutas sociais no Rio de Janeiro e as manifestações de fé na cidade.

Participante da segunda turma da Escola de Fotógrafos Populares, Fábio Caffé seguiu o caminho da fotografia documental, apoiando sua produção principalmente nos ensinamentos de João Roberto Ripper, fundador da EFP. “Ripper diz que fotografar é enxergar valores, como por exemplo, a solidariedade, esperança, compaixão… Tento seguir este ensinamento, utilizando a fotografia como ferramenta de valorização e respeito aos direitos humanos”, afirma Caffé.

Além de participar da equipe de fotógrafos do Programa Imagens do Povo, Fábio Caffé integra também o Coletivo Multimídia Favela em Foco, que desde 2009 vem fazendo documentações independentes em favelas do Rio de Janeiro, como o projeto ImPACtos, no qual acompanha as obras do Programa de Aceleração do Crescimento, do Governo Federal, no Morro do Alemão. “Tenho muito orgulho de ser integrante do Imagens do Povo e do Coletivo Favela em Foco, pois nosso trabalho dentro destes projetos vai muito além de simplesmente clicar. Nossa fotografia nasce da profunda comunhão entre fotógrafo e fotografado, então daí surgem encontros maravilhosos, onde vivenciamos juntos: alegrias, tristezas, sonhos, lutas, festas…”, explica o fotógrafo, que neste mês participará também de uma coletiva em homenagem a São Jorge, tema que documenta desde 2006.

 

Serviço

 

Exposição Em Nossas Mãos

Fotógrafo Fábio Caffé

Galeria 535, no Observatório de Favelas do Rio de Janeiro

Endereço: Rua Teixeira Ribeiro, 535, Maré – RJ.

Visitação: 4/4 a 20/05/2011, de 9 às 18h.

Entrada Franca

 

 

Por: admin, em 18/07/2011


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Totoma – Dani Dacorso

Dani Dacorso

Totoma! – Imagens da cena funk carioca por Dani Dacorso

 

A partir do dia 28 de janeiro, a Galeria 535 – localizada na sede do Observatório de Favelas – inaugura a exposição Tomoma!, da fotógrafa carioca Daniela Dacorso.

A mostra é composta por mais de 20 imagens produzidas durante os anos de 1998 e 2008, período em que Daniela registrou a cena funk no Rio de Janeiro, acompanhando diversos bailes da cidade e da Baixada Fluminense.

As festas no Chapéu Mangueira, na época da “dança da bundinha”, Tati Quebra Barraco no início de carreira com Mr. Catra, Gorila e Preto, os bailes da Vila Mimosa e a montagem dos “soundsystems” são alguns dos flagrantes da exposição.

Totoma! já foi exibida na Bienal de Fotografia de Nice e no Maison Folie de Moulins, em Lillie, ambas na França, em 2005. As imagens também participaram da coletiva Estética da Periferia, no Centro Cultural dos Correios.

O trabalho de Daniela foi publicado no Street World / Urban Art and Culture from 5 Continents (Abrams/New York) e também nas revistas Dazzed and Confused, Blender (Estados Unidos) e NME e nos jornais The Guardian (Inglaterra) e La Vanguardia (Espanha).

Daniela Dacorso  trabalha  atualmente como fotógrafa  para  a revista Istoé e desenvolve projetos pessoais em fotografia. Corpo, religiosidade e cultura urbana são temas recorrentes  em seu trabalho.

 

Exposição Totoma!, da fotógrafa Daniela Dacorso.

Local: Galeria 535 – Rua Teixeira Ribeiro, 535, Maré – RJ.

Horário: segunda a sexta, de 9 às 18h

Entrada gratuita

 

Que fenômeno funk é esse?

Por Marcos Bonisson

 

A linguagem é uma pele: esfrego minha linguagem no outro.

Roland Barthes

 

O que acontece nos bailes funk da zona norte e sul é também de ordem catártica. Fotografar baile funk não é para qualquer um. No centro da pista, na batida do pancadão, uma espiral de corpos é desenhada, serpenteando o espaço. A gravidade funk age e tudo converge, sugando todos para o vórtice, e gerando uma onda de energia indizível. Nessa situação, a fotógrafa tem que estar preparada para o inesperado, e munida de visão panóptica, porque a chapa quente é periférica. Em leitura possível, imagens transitivas são aquelas que operam um deslocamento da cognição visual para o domínio de outros sentidos. Com efeito, as imagens de Dani Dacorso são sonoplásticas, olfativas. Se as olharmos atentamente, podemos ouvir a intensidade do som e sentir o cheiro de suor, henê e sexo. A fotógrafa visa um eixo subjetivo de seleção e combinação, escolhendo os sinais e indiciando o processo de revelar, em imagens-metonímias, o todo pela parte. Fotografias são fragmentos, relances. Acumulamos relances. Conhecer é antes de tudo reconhecer.  O que está claramente em jogo nesse acúmulo de fragmentos funk é o registro de um êxtase enunciado, pela fala do corpo, em uma de suas pulsões cardinais,  a dança.

Dacorso tem fotografado o funk carioca por quase dez anos. Se a linguagem organiza os signos, o significante do trabalho de Dani é apontar uma imagem acústica de leitura plural. Definir essas fotografias de documentais e preto e branco é apenas dizer algo sobre sua sintaxe, mas não sobre sua semântica de sentido variado. Contudo, há todo um ritual de atitude instável apresentado pela meninada nos bailes funk. Conflitos à parte, a catarse da dança e do cantar junto, dominam o ambiente. Uma alegria instantânea, como reação à adversidade. O conteúdo manifesto dessas fotos reside primordialmente na tensão instaurada na pista, pela alteridade dos corpos em ação dançante. Nesse sentido, corpo e visão se fundem criando fissuras, por onde podemos olhar e imaginar realidades das quais não temos necessariamente uma experiência direta. Toma-totoma-toma repete o refrão na batida do tamborzão, enquanto a lente embaçada da fotógrafa observa a massa que pulsa no espaço. Dani executa nessa mostra, um projeto de notação visual, separando precisamente o essencial do acessório, e indagando em fotos-vislumbres, que fenômeno funk é esse?

Por: admin, em 18/07/2011


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Instalação “1 Minuto” – Ana Kahn

© Léo Lima

 

Dias 28 e 29 de janeiro a Galeria 535 recebe a instalação “1 minuto”, da fotógrafa Anna Kahn, que expõe cenários atingidos pela violência das balas perdidas.

A instalação é composta de um cubo onde são projetadas imagens que tem como cenário o Rio de Janeiro e os locais que receberam vítimas de balas perdidas. A obra é um garimpo de registros sistemáticos da violência na cidade feitos pela fotógrafa desde a década de 90. Segundo Anna, cada imagem desse trabalho pretende ser testemunha visual e silenciosa dessa brutalidade.

A jornalista Anna Kahn é carioca e estudou fotografia na School of Visual Arts, em Nova York. A obra que será exposta no Observatório esteve na última edição do Festival Internacional de Fotografia Paraty em Foco (2010).

 

Instalação “1 Minuto”, da fotógrafa Anna Kahn

Data: 28 e 29 de janeiro

Local: Observatório de Favelas do Rio de Janeiro

Rua Teixeira Ribeiro, 535, Maré – RJ.

Horários: 28/01 – 9 às 21h – 29/01 – 10 às 13h

Entrada Gratuita

Por: admin, em 18/07/2011


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Casinha Daros – Fotografias Pinhole

 

A Casa Daros e o Observatório de Favelas apresentam, a partir de 07 de agosto de 2010, a exposição Casinha Daros, reunindo 45 fotografias feitas por estudantes dos bairros da Urca, Botafogo e Maré a partir da prática artesanal conhecida como pinhole (buraco da agulha). A exposição é resultado do Projeto Casinha Daros, criado em 2007, fruto de uma parceria entre a Casa Daros e o Programa Agência-Escola Imagens do Povo, realizado pelo Observatório. A mostra ocupará a Galeria 535, no Observatório de Favelas, na Maré. Inaugurada em janeiro desse ano, a Galeria 535 tem o objetivo de integrar-se ao circuito de atividades culturais da cidade, reforçando a programação voltada para as artes em espaços populares.

A exposição terá uma atividade paralela a ser realizada no dia 1º de outubro às 19h, no Ateliê da Imagem, na Urca, dentro do Projeto Sexta Livre. Na ocasião, haverá projeção de imagens pinhole e das ações realizadas no projeto, além de uma roda de conversa com os professores de pinhole do Observatório de Favelas e da Escola Municipal Minas Gerais, junto com a equipe de Arte e Educação da Casa Daros.

O Projeto Sexta Livre é organizado desde 1999 pelo Ateliê da Imagem, e tem caráter multimídia, reunindo diversas manifestações artísticas ligadas à fotografia, vídeo, cinema, música e performance. Os eventos são abertos ao público.

 

CASA DAROS

As imagens fotográficas foram criadas durante oficinas promovidas dentro e no entorno da Casa Daros – uma instituição cultural em Botafogo, ainda em construção, que tem como pilares filosóficos a arte, a educação e a comunicação. Um dos interesses desta mostra é a troca cultural entre as diferentes localidades que compõem o espaço urbano do Rio de Janeiro.

 

O Projeto Casinha Daros busca desenvolver a noção da diversidade cultural entre esses jovens e crianças, bem como revelar seus olhares particulares sobre o universo que os cerca. A criação artística embutida no pinhole é lúdica, mas também meio de aprendizagem. Portanto, é fonte para um farto material pedagógico a ser desenvolvido em sala de aula pelos professores que participam do processo.

O pinhole – que significa “buraco de agulha” – é uma técnica artesanal de fotografia que estimula o imaginário, baseada no princípio da câmara escura. Em princípio, objetos simples como caixas de fósforos e latas de leite podem ser transformados em câmera fotográfica reproduzindo os primórdios da tecnologia de captação e registro da imagem. A partir daí, jovens e crianças passam a se envolver com princípios da física (como, por exemplo, o percurso da luz), com os mecanismos de formação de uma imagem, com processos químicos de revelação, com matemática (presente na contagem do tempo de exposição do filme à luz), dentre outros elementos pedagógicos. Paralelamente, essa atividade permite o desenvolvimento de características relacionadas ao olhar, à subjetividade e, principalmente, à habilidade de observar e de se auto-observar.

Na primeira e segunda etapas do Projeto Casinha Daros, oficinas de pinhole se desdobraram em exposições – uma no escritório da Casa Daros, em 2007, e outra no Museu da Maré, em 2008 – e em diversas outras atividades pedagógicas, tais como encontros com educadores, palestras, narrações de histórias. Até o momento, o projeto já envolveu crianças e jovens da Maré (das oficinas da Escola de Fotógrafos Populares) e de três escolas municipais: Minas Gerais, na Urca, e Francisco Alves e João Saldanha, em Botafogo.

A mostra que será inaugurada na Galeria 535 é, portanto, a terceira exposição dentro do Projeto Casinha Daros. Além das imagens presentes nas edições anteriores, a mostra vai trazer fotos inéditas produzidas por alunos da Escola da Urca. Uma roda de conversa com os participantes do Projeto ocorrerá no dia da abertura, incluindo os professores de pinhole do Observatório de Favelas, os professores da Escola Municipal Minas Gerais (da Urca), além da equipe de Arte e Educação da Casa Daros.

 

Serviço: Exposição Casinha Daros – Projeto Pinhole 2010

Abertura: 07 de agosto de 2010, às 11h

Visitação: até 1º de outubro de 2010

Roda de conversa: dia 07 de agosto de 2010, de 12h às 13h.

Local: Galeria 535, Observatório de Favelas.

Rua Teixeira Ribeiro, 535, Maré, Rio de Janeiro

Cep 21044-251

Telefone: 21.3105.4599

Entrada franca

 

Projeto Sexta Livre

1º de outubro de 2010, às 19h

Ateliê da Imagem, Urca.

Av. Pasteur, 453, Urca, Rio de Janeiro

Telefone: 21.2244.5660

www.ateliedaimagem.com.br

 

 

Por: admin, em 14/07/2011


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Alquimia – Guy Veloso

Entre 2000 e 2010, o fotógrafo paraense Guy Veloso viajou pelo Brasil registrando em sua Leica M-6 diversas manifestações religiosas. O tema é pesquisado pelo autor há pelo menos 15 anos, desde que começou a fotografar a procissão do Círio de Nazaré, que leva pelo menos 2 milhões de fiéis às ruas de Belém, cidade natal do fotógrafo, todo ano. Alquimia é o resultado de um garimpo nas imagens produzidas durante estes últimos dez anos por Guy. Com curadoria de Cláudia Buzzetti e Patrícia Gouvêa, a mostra traz à Galeria 535 quinze imagens coloridas, parte pouco conhecida da obra do autor, e nos imerge em um universo místico e cultural do nosso imenso país.

O autor

Guy Veloso nasceu (1969) e trabalha em Belém-PA, metrópole de 1,5 milhões de habitantes no coração da Amazônia, pólo cultural efervescente. De formação acadêmica em Direito (1991), é fotógrafo independente desde 1988.

Seu trabalho recebeu publicações nacionais e internacionais e compõe os acervos da University of Essex Collection of Latin American Art, Colchester-Inglaterra, Coleção Nacional de Fotografia, Centro Português de Fotografia, Porto-Portugal, Museu de Fotografia de Curitiba-PR, Coleções Rosely Nakagawa, Joaquim Paiva/Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Sua produção pode ser acessada em www.fotografiadocumental.com.br

 

A Galeria 535

No dia 22 de janeiro de 2010 o Observatório de Favelas, na Favela da Maré, inaugurou em sua sede um espaço destinado às artes, integrando-se ao corredor cultural da cidade: a Galeria 535. O nome da galeria originou-se do endereço em que está localizada a instituição e pretende reforçar a idéia de identidade e a proposta de dar acesso cultural à periferia.

A primeira mostra abrigada pela Galeria 535 foi a exposição Caçadores de Sonhos, formada com fotografias dos projetos de conclusão de curso dos alunos da Escola de Fotógrafos Populares de 2009.

 

A mostra pelas curadoras

A fotografia documental brasileira tem um olhar especial e um uso da cor que a destacam de outros países, oferecendo ao público traços distintos que a definem e a tornam única e reconhecível. Tal fato não se reduz apenas a um fenômeno artístico, mas reflete a cultura brasileira em geral e a forma como o Brasil é construído, visto e vivido no imaginário de seus habitantes.

Guy Veloso não tem medo de mostrar a escola de cuja fonte bebeu e sua própria adesão às instâncias desta categoria, mas, por outro lado, em meio a esta “brasilidade”, ele nos propõe uma visão singular dentro desse panorama.

Em sua pesquisa artística, o fotógrafo paraense busca principalmente as manifestações religiosas e místicas de lugares do interior do país. A seleção de imagens em cor aqui apresentadas, em sua maioria inéditas, faz parte de um ensaio autoral sobre a fé, em que o fotógrafo utiliza apenas lentes 35mm para, como ele mesmo diz, “ter que chegar ainda mais perto das pessoas”, o que em muitos casos acaba tornando o ato fotográfico um verdadeiro “corpo-a-corpo” durante grandes procissões e romarias.

Mas o que faz da visão de Guy sobre estas festas, exaustivamente fotografadas, tão diferente? Suas imagens são permeadas por um misticismo e uma estranheza que ele capta na religiosidade brasileira; seu olhar parece explorar essencialmente este tema para encontrar cenas que possam ter afinidade com suas próprias intenções artísticas e pessoais.

O aspecto de “sagrado” das festas populares brasileiras é a matéria onde Guy imprime algo que está dentro dele mesmo: seu sentido de fé transborda e nos doa uma experiência visual que elimina os preconceitos sobre o que estamos acostumados a ver e pensar em relação ao tema.

Guy Veloso mergulha na alquimia e na espiritualidade para representar um nível de conhecimento mais sutil. Ele torna o invisível visível.

Claudia Buzzetti e Patricia Gouvêa

 

Serviço

Inauguração da Exposição Alquimia – Guy Veloso

Data: 12/06/2010, sábado, 13 h

Visitação: 14/06 a 23/07/2010, de 9 às 18 h

Galeria 535

Local: Observatório de Favelas

Endereço: Rua Teixeira Ribeiro, 535. Parque Maré – Maré – Rio de Janeiro.

Por: admin, em 14/07/2011


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Veja também:

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