Juntos pela educação

17 de outubro de 2013

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© Fábio Caffé / Imagens do Povo

© Fábio Caffé / Imagens do Povo

 

Foi um 15 de outubro simbólico este de 2013. Na data em que se comemora o Dia Nacional do(a) Professor(a), uma multidão de pessoas, dentre profissionais da educação, alunos, black blocs e manifestantes sensibilizados com as reivindicações dos educadores cariocas, foram às ruas do Centro do Rio. A causa é das mais importantes: a busca pela valorização da categoria, combatendo o plano de cargo de salários proposto pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, que, além de estar aquém de reconhecer o verdadeiro valor dos educadores, não contempla toda a classe. A caminhada seguiu rumo à Cinelândia, palco histórico das grandes manifestações democráticas do Brasil. Os gritos parodiavam canções, marchinhas de carnaval e de torcidas de futebol, tendo como alvo quase sempre o governador do estado, Sérgio Cabral, a secretária de educação do município, Claudia Costin, e o prefeito da cidade, Eduardo Paes.

A reprovação popular (não só por parte dos profissionais da educação) aos governos foi justificada, mais uma vez, no desfecho do protesto de ontem. Assim como em outras manifestações políticas recentes, a polícia militar reprimiu os participantes e sitiou a região da Cinelândia. Com seu habitual aparato de guerra, os policiais enfrentaram indiscriminadamente os manifestantes, varrendo as ruas do Centro, Catete, Laranjeiras e Glória. Três ônibus foram necessários para encaminharem até as delegacias da região os considerados “presos políticos”.

A violência policial também atingiu um dos fotógrafos do Programa Imagens do Povo. AF Rodrigues teve seu flash quebrado por um dos policiais militares. A destruição de um equipamento fotográfico se apresenta, nesse momento, com forte simbolismo. A única “arma” que o fotógrafo portava, seu equipamento, foi visto como ameaça perante aos policiais que, representando os interesses deste estado repressivo, combatiam as diversas formas de democracia no ato: o direito à educação, o direito à manifestar-se politicamente, o direito à comunicação. Através dessa interpretação ditatorial do governo, sim, os registros dos fotógrafos do Imagens do Povo se apresentam ameaçadores, pois visam sempre a manutenção e ampliação da liberdade de expressão e dos direitos humanos.

Embora o Programa Imagens do Povo reforce com essa publicação o repúdio às violentas ações polícias (das quais, vale ressaltar, os moradores de favelas estão bastante familiarizados), vamos manter nossa posição de promover o contraponto da mídia tradicional, que em relação à cobertura das manifestações adotou a postura de ressaltar os enfrentamentos dos manifestantes à polícia, em detrimento ao cerceamento dos direitos civis e democráticos, e também das violações por parte dos aparelhos do próprio estado, sobretudo da própria polícia militar.  Decidimos então destacar aos personagens mais importantes desse dia: os professores e professoras. O fotógrafo Fábio Caffé entrevistou alguns desses heróis do país que, junto aos seus colegas de trabalho, estão indo às ruas vislumbrando um futuro mais justo e democrático para educação no Brasil.

Maria das Dores Pereira Mota, 67 anos, 45 de magistério, ainda continua dando aulas. Ela é uma das fundadoras do SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação), participou da histórica greve de 1979. Segundo Maria das Dores: “Só a luta muda vida. Só na rua é que a gente faz o povo entender a luta da educação. Daí a importância da gente estar manifestando, principalmente hoje no dia 15, que é o dia do professor, e entender que a gente tem que comemorar nossa luta, nossa resistência e a busca por uma educação de qualidade.”

Rita de Cássia Santos Rangel é professora da Escola Municipal Claudio Besserman Vianna, localizada na Comunidade Rio das Pedras, na Oeste Norte do Rio.  “Meu nome é Rita, sou professora da rede municipal do Rio há 28 anos, trabalho com crianças pequenas do ensino fundamental. A gente trabalhou a vida toda para hoje a gente ser recebido dessa forma… Ele (o governador) apresenta um plano cujo objetivo não atende a nossa demanda. Eu trabalho desde sempre em comunidade, com muita honra e com muito orgulho.”

Jaqueline Bento Marques Pereira é professora de ciências e biologia da rede municipal e estadual do Rio de Janeiro. “Meu nome é Jaqueline e estou na greve porque desde o início do ano estamos tentando fazer negociações junto ao governo no sentido de melhorar as condições de trabalho que estão muito precárias. O profissional da educação está extremamente desvalorizado. Eu tenho mestrado em Ensino de Ciências e a gratificação que eu recebo pelo mestrado é menos de 200 reais no município, e chega a 220 reais no Estado. Quer dizer, o governo diz que tem essa ‘política’ de querer valorizar o profissional pela sua formação… Isso é uma falácia! Porque o que nós temos são salas superlotadas, várias escolas que não são climatizadas, uma carência muito grande de profissionais nas escolas, além de uma precarização muito grande da qualidade. Se o governo brasileiro conseguiu universalizar o ensino, a nossa luta agora precisa ser no sentido de melhorar a qualidade da educação. E nós professores que estamos na rua estamos dando uma aula de cidadania. Eu aqui estou dando uma aula de cidadania para os meus alunos, mostrando que é através da mobilização popular que nós vamos conseguir conquistar os direitos de uma educação pública de qualidade. Eu estou convocando todos os meus alunos a se unirem junto a mim nesta luta, junto aos responsáveis deles. Porque a luta pela educação é uma luta de todos nós.”

Daizir Madalena Coutinho é aposentada e trabalhou durante 25 anos no Instituto de Educação Sarah Kubitschek, em Campo Grande. Dona Daizir escreveu um poema sobre o atual cenário político do Brasil e as precárias condições da educação:

A vós governantes uma poesia

Governador, palavra que rima com dor

A dor que imprimes a quem educa

Que não está sendo ouvido

Que é por vós tão esquecido

Quando devia ser amado e respeitado

E nunca maltratado

Sabeis que é dever de quem governa impor e conciliar

No entanto preferes só impor

Impondes sobre a educação e assim não se avança

Pois não há negociação!

Quando vamos ao vosso encontro, exercendo o direito de ir e vir 

Fazei –nos parar no caminho

Em pleno mês do educador

Não tem por nós um carinho, não reconheceis nosso valor

Governador e prefeito, por que governais desse jeito?

As promessas de campanha onde foram parar?

Eram apenas promessas de quem queria ganhar?

Veja a galeria especial do dia 15 de outubro com imagens dos fotógrafos IP:

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